sexta-feira, 16 de abril de 2010

Ao homem da minha vida

Esta é uma crônica que eu fiz a partir de uma entrevista com meu avô.
Momento de grande emoção, posso dizer, inclusive, que foi um marco na minha história como aspirante à jornalista.
Presente de Deus esse trabalho que me foi proposto na faculdade.

De forma profissional eu tento descrevo alguém que só meu coração sabe o valor.


Boa leitura!

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Não é um José qualquer


Impressiona à primeira vista, sua aparência um tanto rude ou intransigente não nega seu alto pedestal social. Respeito é bom e ele gosta. Não é pra tanto? É pra mais ainda! Senhor José Pardal, motorista de táxi aposentado, 48 anos de história à frente de um volante, sob carcaças que mais poderiam ser chamadas de casa. Pois era ali, nos mais diversos modelos de automóveis, que ele passou o maior tempo de sua vida. Trabalho? Não, sempre foi seu maior prazer.

A profissão foi herança do pai. O que pode justificar a paixão pelo ofício que lhe rendeu muitas experiências e milhares de historias pra contar. A bordo de seu veículo rodou os quatro cantos do país. Das viagens, a primeira lembrada foi, sem dúvidas, a mais especial: Rio Grande do Sul, em 18 dias. José foi o convidado de honra de seu cliente. O motivo de tanto prestigio é definido em apenas duas palavras, credibilidade e honestidade, que quase vinham escritas na testa como se fossem aqueles tercinhos pendurados no espelho.

Datas comemorativas eram festejadas com um passageiro e outro que solicitava uma corrida. José pensou até em um anúncio: “Taxista 24 horas, porque seus compromissos são importantes para mim”. E, sempre foi assim, José nunca teve vida pessoal, este é um dos motivos de ter construído tamanha fortuna. Casas, apartamentos, pontos de táxi... Muito conforto para um final de vida que começou em 1996. A notícia da propensão a um câncer de pele, por conta das longas horas exposto ao sol, implantou um sinal vermelho na mente de um homem não aprendeu nada além de trabalhar.

- Esta foi a maior tristeza da minha vida, o táxi era tudo pra mim. Minha diversão era dirigir. Ah! Como eu sofri, relembrou o momento mais difícil de sua vida. O pôr do sol nos últimos anos continuou a ser visto por ele do ponto de taxi, só que agora a calçada é seu lugar. José passa os dias acompanhando o trabalho dos novos profissionais e admite: – Sinto prazer em estar próximo deles, zelo pelo meu lar.

Olhar pra trás, hoje, significa enxergar muito mais do que seus fracos olhos podem ver: um homem que começou do zero e conquistou tudo o que desejou. E com lágrima nesses mesmos olhos, ele revela que seu maior orgulho tem nome, Ananda e Anna Liz, suas netas. Toda essa vivencia deixou marcas que o tempo nunca vai apagar e uma lição para não esquecer: “Acordar de manhã, cumprir uma agenda lotada e ir dormir de novo sem nem perceber o que se está fazendo não é viver”.

- Nenhum motorista da minha época trabalha, todos se foram, o único que sobrou fui eu, que já desanimei de viver, agora é só esperar...


4 comentários:

Thayra Azevedo ♥ disse...

Linda!

Giovana Damaceno disse...

“Acordar de manhã, cumprir uma agenda lotada e ir dormir de novo sem nem perceber o que se está fazendo não é viver”. Eu conheço bem esta frase!

Elison Santos disse...

Muitoo bom amor.. =)

Víctor Oliveira disse...

Uma das historias mais fortes q eu ja vi, talvez até a mais...

Coisa de novela...