terça-feira, 3 de março de 2009

É aonde tudo acontece


Fatos que são comuns em nosso cotidiano tendem a passar despercebidos sob nossos olhos. Numa das minhas viagens rotineiras eu passei a olhar de outra forma as Estações Rodoviárias.

Ao saber que teria que esperar mais de uma hora pra embarcar fiquei desanimada. Lá pelas tantas da noite, eu morta de sono, parecia que os ponteiros do relógio não andavam. Mas, “como tudo na vida tem um porque”, naquela noite não poderia ser diferente.

Recostei numa das colunas de cimento e me peguei observando as pessoas que, assim como eu, aguardavam seus respectivos coletivos. Impressionante a diversidade socioeconômica que existia ali. Não havia um público igualitário. De um lado, malas gigantes com rodinhas, de outro, sacolas plásticas, perfumes e odores, bêbados e bíblias, cigarros e canudos, negros e mestiços... Pronto! Achei minha distração. Analisar o comportamento de cada um que formava aquela aglomeração seria no mínimo um passatempo.

Mas, o que me motivou a escrever esse texto foi o fato de, no meio daquela confusão, uma senhora ter vindo puxar papo comigo. Ela apareceu como alguém que precisava muito de carinho. Voltei minha atenção para ela e passamos cerca de trinta minutos juntas. Idosa, viúva e com sérios problemas de saúde ela voltava de uma consulta médica. Após me descrever seus problemas ela embarcou deixando pra mim votos de felicidade e sucesso. Caracterizei esse bate papo como o desabafo de uma cidadã desesperada e desamparada.

Sou muito preocupada com esse povo carente do Brasil. Me comove ouvir essas historias. Não faço esforço algum para ceder um pouco de atenção e muitas vezes um ombro amigo a quem precisa.


Humanos só por classificação. Na prática seguem cômodos num individualismo capitalista que me dá nojo. Mas, não adianta gastar meu verbo, esse lance de ajudar ao próximo, só existe mesmo pra quem tem coração.

3 comentários:

Thayra Azevedo disse...

Na verdade o 'lance de ajudar o próximo' está dentro de nós. Cada um sabe que 'deve' amar ao próximo, porém os dias se passam e o ser humano se torna cada vez mais gelado.

beijos amiga

Giovana Damaceno disse...

Sabe que vc merece parabéns por isso? Se há uma coisa para a qual não tenho paciência é conversar nesses locais. Com ninguém mesmo. Gostei também do senso de observação. É assim que se cresce nessa profissão e como ser humano também! Beijão!

Diliane disse...
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